| Nota Histórico-Artistica | O cemitério Israelita de Faro é o único vestígio da próspera comunidade judaica aqui estabelecida nos princípios do século XIX. Conhecida por Pequena Jerusalém, compunha-se de sessenta famílias. Tinham duas sinagogas, que não chegaram até nós.
O terreno onde se instalou o cemitério foi comprado, em 1851, por Joseph Sicsu, o Cantor, Moses Sequerra e Samuel Amram. À entrada, por cima do portal, está a data de 5638, correspondente à data cristã de 1887, que terá sido aí colocada aquando da construção do muro envolvente. O cemitério está pavimentado com calçada portuguesa e tem duas grandes árvores. Tem também uma talhara (casa) onde os corpos são lavados e onde se reza.
O cemitério foi abandonado aquando do desaparecimento da comunidade israelita, por um lado devido à migração dos jovens, por outro, com a morte dos idosos.
Em 1980, as sepulturas foram inventariadas e as inscrições traduzidas por elementos da Comunidade Israelita de Lisboa. Em 1984, nasce a fundação Faro Cemetry Restoration Fund inc. que promove o restauro do cemitério.
A cerimónia de reconsagração teve lugar a 16 de Maio de 1993, tendo estado presente o Presidente da República Portuguesa. O Dr. Mário Soares plantou, então, simbolicamente, a primeira das dezoito árvores fronteiras ao frontispício, em honra do Dr. Aristides de Sousa Mendes, cônsul em Bordéus, em 1940, que salvou a vida de centenas de judeus ao emitir-hes vistos transitórios para saírem da Europa e deste modo fugirem dos nazis.
O cemitério foi utilizado, aproximadamente, durante um século, tendo como datas limites do primeiro e do último enterramento 1838 e 1932.
Na lápide mais antiga pode ler-se: "Pedra sepulcral - de um verdadeiro sábio, louvado em Israel, nascido de sábios - Rabi Joseph Toledano. Morreu na sexta-feira 12 de Adar 5598. Que a sua alma se una à porção da vida".
(Ralf Pinto, Cemitério Israelita de Faro e Museu, 1838-1932 : 5598-5692, Edição da Câmara Municipal de Faro, 1997) |